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3, Jun 2018

Nuno

Vou apenas falar da minha experiência e ideias, há excelentes mães e pais que optam por não amamentar, seja porque razão for.
Defendo o direito de escolha e em especial o respeito por essa escolha.
Também defendo que deve ser uma escolha informada e consciente, seja ela qual for.

Hoje em dia um pai (ou companheiro(a)), mais do que apoiar a amamentação com tarefas como refere a OMS, tem de se informar do porquê de amamentar, e de como deve ser feita a amamentação.
Não é suficiente ir atrás da procissão, "é uma cena dela, ela sabe o que é melhor"...
Garantidamente (e infelizmente) vai aparecer aquele pediatra ou profissional de saúde, aquele vizinho, aquele amigo ou familiar a falar do leite secar ou ser fraco, de "só se pode deixar mamar 15 mins em cada mama", do "a mama não é chucha!" - como se a chucha não fosse uma imitação barata da mama da mãe, o que diz "o leite adaptado é melhor, tem isto e aquilo!", "de noite não podes dar mama, senão fica mal habituado e depois vais ver!!" - como se fazer um acto de puro amor com a sua cria fosse algo possível de alguém se arrepender, mesmo sendo por vezes difícil, "é normal doer, tens que aguentar, a mim também me doeu, é mesmo assim!", etc etc etc

É o pai que nesses momentos deve impedir, controlar ou ajudar a mãe a lidar com esses medos e inseguranças.

Não chega andar a reboque, é curto, e a nossa família merece mais dedicação, mais amor.
Não chega, porque nos momentos maus, quando as inseguranças vencerem por um minuto, ficamos sem armas para defender o que sabemos racionalmente que queremos e é melhor para a nossa família, mas a irracionalidade teima em não nos largar.

Na gravidez, parto e pós parto, o pai é o guardião, é o protector da família, o defensor da sua companheira e da sua cria, e para mim, esse é um dos papéis mais importantes na vida de um homem, não duma forma machista, mas sim de puro companheirismo e apoio, feito sem destaque, nos bastidores, mas de impacto profundo no relacionamento do pai com a sua família.

Sei como é fácil sentirmo-nos "atirados para o lado", sem saber o que fazer, colocados em segundo plano pela Natureza, onde apenas servimos para tarefas corriqueiras e que qualquer um as poderia fazer, e com esse pensamento a invadir-nos durante a gravidez e o nascimento, apoiado por uma sociedade que desvaloriza e de certa forma até condena o que eu considero o verdadeiro papel do pai, é fácil desligarmos a ficha e entrarmos na onda do "se precisares de alguma coisa, diz!" como máscara do sentimento de exclusão que sentimos por nada disto se passar no nosso corpo, nem sermos ouvidos nas nossas opiniões, pois "vocês lá sabem"...

Cabe em primeiro lugar aos pais, e logo de seguida às mães (se a porta estiver trancada, não há pai que entre...) lutarem pelo verdadeiro lugar do pai na família, e assim formarem-se verdadeiras famílias de amor, e talvez um dia, não seja preciso lutar tanto assim para o fazer...

Este é um resumo do que vai na minha cabeça enquanto arrumo ideias para o que quero partilhar no próximo encontro do Positive Birth Movement Penafiel, inspirado pela bonita partilha de ontem proporcionada pela Claudia Carvalho e pela Alexandrina Mendes (obrigado!).
Obrigado também Diana Ribeiro, de quem eu "roubei" a imagem e de onde surgiu a ideia de escrever este texto!
Por último, mais uma vez, obrigado Ana Homem pelo "choque" com a realidade duma mãe que amamenta a filha como a Natureza previu e preparou a mulher! Parece-me que já foi à tantos anos... =)

Podem discordar, concordar, negar ou partilhar das minhas ideias, mas em todo o caso se der para reflectirem um pouco sobre o papel do pai, fico mesmo muito feliz!

E agora, vou trocar o cocó à minha filha, e por-lhe um ganchinho para a "gadelha" não andar sempre a atrapalhar enquanto jogamos à bola! 😜



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